Pão de forma caseiro macio que dura a semana
Pão de sanduíche com miolo fechado e macio, feito em forma de bolo inglês. Rende 1 pão de cerca de 16 fatias.
- Preparo
- 25 min
- Cozimento
- 35 min
- Rende
- 1 pão (16 fatias)
- Dificuldade
- Médio
Pão de forma caseiro é mais trabalhoso que o pão sem sova e resolve outro problema. Aquele é rústico, de casca dura e miolo cheio de buracos. Este é o pão de sanduíche: miolo fechado, macio, fatia que aguenta manteiga sem rasgar.
A diferença de método é grande. Aqui tem sova, tem enriquecimento com ovo e manteiga, e tem duas fermentações — mas nada é difícil, só sequencial.
Por que a manteiga entra depois
Esta é a parte da receita que mais gente inverte, e a que mais atrasa a massa.
Glúten se forma quando as proteínas da farinha se hidratam e se ligam umas às outras. Gordura atrapalha isso: ela reveste as proteínas e impede que se encontrem.
Se a manteiga vai junto desde o começo, a massa demora muito mais para chegar ao ponto — às vezes o dobro do tempo de sova.
Adicionando depois de a rede já estar formada, a manteiga cumpre o papel que interessa: se aloja entre as camadas de glúten, deixa a massa mais macia e mantém o miolo úmido por mais dias.
Ela vai desmanchar a massa por uns dois minutos. É normal. Continue sovando e ela volta a unir, mais lisa e mais brilhante do que antes.
O teste do véu
Estique um pedaço de massa do tamanho de uma noz entre os dedos das duas mãos, devagar, abrindo em quadrado.
Se ela abre numa película tão fina que a luz passa, e você consegue ver os contornos dos dedos através dela, o glúten está pronto. Se ela rasga antes de ficar translúcida, faltam uns três minutos de sova.
É o teste mais confiável que existe para massa de pão enriquecida, e leva dez segundos.
Os dois crescimentos, e o segundo é o crítico
Primeiro crescimento, na tigela, até dobrar. Teste: afunde o dedo 1 cm na massa. A marca deve voltar devagar e não fechar completamente. Se voltar rápido e sumir, falta tempo; se não voltar nada, passou.
Segundo crescimento, na forma, até uns 2 cm acima da borda. Este é onde a maioria dos pães de forma se perdem — não porque cresce pouco, mas porque cresce demais.
Uma massa fermentada além do limite tem a rede de glúten esticada ao máximo. No forno ela sobe mais um pouco, atinge o ponto de ruptura e desaba. O resultado é aquele pão com o topo afundado e uma linha de miolo denso na base.
Assar um pouco antes é sempre mais seguro que assar um pouco depois.
Quando o pão está assado
Três sinais, em ordem de confiabilidade:
- Termômetro no centro: 90 a 95 °C. É o único método objetivo. Termômetro de espeto custa pouco e resolve pão, carne e calda.
- Som oco ao bater no fundo do pão desenformado.
- Cor, que é o menos confiável — a gema pincelada doura o pão bem antes de ele estar assado por dentro.
Variações
Integral. Substitua até 150 g da farinha branca por integral e aumente o leite em 20 ml. Mais que isso e o pão fica pesado, porque o farelo corta as cadeias de glúten.
Pão doce. Aumente o açúcar para 100 g e adicione raspas de laranja. O tempo de crescimento aumenta uns 20 minutos — açúcar demais também atrasa o fermento.
Pão de leite em trança. A mesma massa dividida em 3 partes, trançada e assada em assadeira aberta por 25 minutos.
Sem lactose. Leite vegetal (aveia ou soja funcionam melhor que amêndoas) e óleo de coco no lugar da manteiga, na mesma quantidade.
Custo
R$ 11 por um pão de 16 fatias, cerca de R$ 0,70 a fatia. Um pão de forma industrializado comparável, com ovo e manteiga na formulação, custa entre R$ 12 e R$ 18 por 400 g.
Ingredientes
- 500 g de farinha de trigo (cerca de 4 xícaras)
- 300 ml de leite morno
- 10 g de fermento biológico seco (1 envelope)
- 50 g de açúcar (4 colheres de sopa)
- 10 g de sal (2 colheres de chá rasas)
- 50 g de manteiga em temperatura ambiente
- 1 ovo
Para pincelar
- 1 gema misturada com 1 colher de sopa de leite
Modo de preparo
-
Aqueça o leite até ficar morno — aquele ponto em que você mergulha o dedo e não sente desconforto, em torno de 35 a 40 °C. Leite quente demais mata o fermento e o pão não cresce.
-
Numa tigela grande, misture a farinha, o fermento e o açúcar. Adicione o sal do lado oposto da tigela, não em cima do fermento — em contato direto e seco, o sal desidrata as células e atrasa a ativação.
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Junte o leite morno e o ovo e misture com uma colher até formar uma massa grosseira, sem farinha seca sobrando.
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Passe para a bancada levemente enfarinhada e sove por 8 a 10 minutos. A massa começa grudenta e vai ficando lisa e elástica. Não adicione farinha para parar de grudar antes de 5 minutos — ela para sozinha.
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Adicione a manteiga em pedacinhos e continue sovando por mais 5 minutos. A massa se desfaz e parece que deu errado; ela volta a unir em uns 2 minutos. Manteiga sempre entra depois do glúten formado.
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Teste do véu: estique um pedaço da massa entre os dedos até formar uma película fina que deixa a luz passar sem rasgar. Se rasgar antes, sove mais 3 minutos.
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Faça uma bola, coloque numa tigela untada, cubra e deixe crescer até dobrar de volume — cerca de 1 hora numa cozinha a 25 °C, mais no frio. O teste é o dedo: afunde 1 cm na massa; se a marca voltar devagar e parcialmente, está pronta.
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Aperte a massa para tirar o gás, achate num retângulo do comprimento da forma e enrole apertado como um rocambole, selando a emenda. Coloque numa forma de bolo inglês de 24 a 26 cm untada, com a emenda para baixo.
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Cubra e deixe crescer de novo por 45 a 60 minutos, até a massa passar cerca de 2 cm da borda da forma. Preaqueça o forno a 180 °C nos últimos 20 minutos.
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Pincele a gema com leite e asse por 30 a 35 minutos, até a superfície ficar bem dourada. Se você tiver termômetro, o centro deve marcar entre 90 e 95 °C; sem termômetro, bata no fundo do pão desenformado — o som deve ser oco.
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Desenforme na hora e deixe esfriar completamente sobre uma grade, no mínimo 2 horas, antes de fatiar. Pão quente esmaga sob a faca e o miolo fica empelotado.
Dicas da Laura
- A manteiga entra depois da sova inicial de propósito. Gordura adicionada cedo envolve as proteínas da farinha e atrapalha a formação do glúten — a massa demora muito mais para chegar ao ponto de véu.
- Para um pão ainda mais macio e que dura mais, substitua 50 ml do leite por um mingau grosso feito com 25 g de farinha e 100 ml de água, cozido até engrossar e resfriado. Esse amido pré-cozido segura água e retarda o endurecimento por 2 ou 3 dias.
- Guarde em saco plástico bem fechado, em temperatura ambiente, por 4 a 5 dias. Ao contrário do pão de casca crocante, este quer o plástico. Não guarde na geladeira: o frio acelera o endurecimento do amido.
- Congela muito bem já fatiado, com papel-manteiga entre as fatias. Vai direto do congelador para a torradeira, sem descongelar.
Perguntas frequentes
Minha massa não passou no teste do véu. Posso assar assim mesmo?
Pode, mas o pão fica com miolo mais aberto e irregular e murcha mais fácil. O véu indica que o glúten está numa rede fina e uniforme, capaz de segurar gás sem estourar. Se depois de 15 minutos de sova ele não vier, o problema costuma ser farinha fraca — procure farinha com pelo menos 10 g de proteína por 100 g na tabela nutricional.
Por que meu pão murchou depois de sair do forno?
Quase sempre é excesso de fermentação na segunda etapa. Se a massa passar muito da borda da forma, a rede de glúten se estica além do que aguenta e colapsa quando o gás esfria. A regra é assar quando a massa estiver cerca de 2 cm acima da borda, não quando ela dobrar de novo.
Dá para fazer com fermento fresco?
Dá. Use 30 g de fermento fresco no lugar dos 10 g do seco — a proporção geral é três vezes mais. Esfarele direto na farinha ou dissolva no leite morno. Os tempos de crescimento são os mesmos.
Preciso mesmo esperar 2 horas para cortar?
Sim, e é a espera mais desrespeitada da panificação caseira. O amido do miolo ainda está terminando de se organizar enquanto o pão esfria; cortado quente, ele esmaga em vez de fatiar e fica com aspecto de massa crua. Além disso o vapor interno escapa todo de uma vez e o pão seca antes do tempo.
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