Pudim de leite condensado liso, sem furinhos
O pudim de liquidificador clássico com a textura firme e lisa de padaria. Rende 10 fatias e o segredo está em bater menos e assar mais devagar.
- Preparo
- 15 min
- Cozimento
- 70 min
- Rende
- 10 fatias
- Dificuldade
- Médio
Pudim de leite condensado é a sobremesa de festa mais feita no Brasil e também a que mais gera frustração. Não pela receita — são quatro ingredientes batidos no liquidificador — mas pelo acabamento: furinhos por toda parte, textura esponjosa em vez de lisa, e a hora de desenformar, que vira jogo de azar.
Nenhuma dessas três coisas tem a ver com a receita. Todas têm a ver com temperatura.
Por que aparecem os furinhos
Um pudim é um creme de ovo. Ao aquecer, as proteínas do ovo se ligam e prendem o líquido, formando aquele gel firme e liso.
O problema é que a água dentro da massa ferve a 100 °C. Se o forno estiver forte demais, a lateral da forma passa dessa temperatura antes de o centro cozinhar, e a água vira vapor por dentro da massa. Cada bolha de vapor abre um túnel — que é exatamente o furinho.
O banho-maria existe para impedir isso. Enquanto houver água líquida em volta, a forma não passa de 100 °C. Mas a água precisa estar quente, não fervendo. Se ela borbulha, o efeito se perde.
Por isso: forno a 180 °C, papel-alumínio por cima, e água fervente na assadeira (fervente na hora de entrar, não fervendo durante).
A segunda fonte de furinho é o ar. Liquidificador em velocidade alta por dois minutos bate o ovo como se fosse um bolo. Quarenta segundos na velocidade baixa bastam para dissolver o leite condensado — mais que isso é espuma que você vai ter que peneirar depois.
O ponto de assado
O erro comum é assar até o pudim ficar completamente firme. Nesse ponto ele já passou, e a textura fica borrachuda.
O sinal certo é este: balance a assadeira. O pudim deve tremer inteiro, em bloco. Se o centro se move em ondas, ainda falta. Se não se move nada, passou.
Ele termina de firmar na geladeira.
O caramelo
Caramelo em fogo médio, sem mexer com colher. Mexer com colher faz o açúcar cristalizar e virar areia. Se precisar movimentar, incline a panela.
A cor certa é mel escuro. Claro demais fica só doce; escuro demais fica amargo e o amargo domina o pudim inteiro. Entre um e outro há uns quinze segundos, então fique olhando.
Um aviso sério: caramelo é a coisa mais quente de uma cozinha doméstica, mais quente que óleo de fritura. Queima na pele em contato instantâneo, e por ser grudento não sai. Nada de criança por perto e nada de provar com o dedo.
Desenformar sem drama
Três coisas, na ordem:
- Gelado de verdade. Seis horas, de preferência de véspera.
- Faca fina rente à borda e também em volta do furo do meio, que é onde geralmente prende.
- Dez segundos de água quente no fundo da forma. Só o fundo, só dez segundos — é para derreter o caramelo, não para aquecer o pudim.
Encoste o prato, segure os dois juntos e vire de uma vez. Virada hesitante é pudim rachado.
Variações
Pudim de coco. Troque metade do leite por leite de coco e acrescente 3 colheres de sopa de coco ralado.
Pudim de café. Dissolva 1 colher de sopa de café solúvel no leite antes de bater.
Pudim de doce de leite. Substitua o leite condensado por 350 g de doce de leite e use apenas 2 ovos, já que o doce de leite é mais denso.
Custo
R$ 18 para 10 fatias, ou R$ 1,80 a fatia. Um pudim do mesmo tamanho em confeitaria sai entre R$ 60 e R$ 90.
Se for servir depois de um almoço da semana, faça na noite anterior. É a sobremesa que mais melhora esperando.
Ingredientes
Caramelo
- 1 xícara (200 g) de açúcar refinado
- 4 colheres de sopa de água
Pudim
- 1 lata (395 g) de leite condensado
- 1 lata (a mesma medida, cerca de 390 ml) de leite integral
- 3 ovos inteiros
- 1 colher de chá de essência de baunilha (opcional)
Modo de preparo
-
Faça o caramelo primeiro. Numa panela pequena, espalhe o açúcar em camada fina, junte a água e leve ao fogo médio sem mexer com colher. Se precisar, incline a panela. Está no ponto quando a calda fica cor de mel escuro e solta um cheiro de caramelo — em torno de 6 a 8 minutos.
-
Despeje o caramelo na forma de pudim (19 cm, com furo no meio) e gire para cobrir o fundo e um pouco das laterais. Ele endurece em segundos, e tudo bem. Cuidado: caramelo passa dos 150 °C e gruda na pele. Não encoste no fundo da forma nem prove a calda com o dedo.
-
Preaqueça o forno a 180 °C e ferva uma chaleira de água para o banho-maria.
-
No liquidificador, bata o leite condensado, o leite, os ovos e a baunilha por apenas 40 segundos, na velocidade mais baixa que der. O objetivo é misturar, não arejar. Espuma na superfície vira furinho no pudim.
-
Passe a mistura por uma peneira fina direto para dentro da forma caramelizada. A peneira segura a chalaza (aquele fiapo branco da gema) e qualquer bolha grande.
-
Se ainda tiver espuma em cima, encoste uma folha de papel-toalha na superfície por um instante. Ela absorve a espuma.
-
Cubra a forma com papel-alumínio e coloque dentro de uma assadeira maior. Despeje a água fervente na assadeira até chegar na metade da altura da forma.
-
Asse por 60 a 70 minutos. O pudim está pronto quando você balança a assadeira e ele treme em bloco, inteiro, como gelatina firme — não em ondas no centro. Uma faca espetada perto da borda sai limpa.
-
Tire do banho-maria, deixe esfriar em temperatura ambiente por 1 hora e leve à geladeira por no mínimo 6 horas. Pudim morno não desenforma.
-
Para desenformar, passe uma faca fina rente à borda e ao furo do meio. Mergulhe o fundo da forma em água quente por 10 segundos, encoste o prato por cima e vire de uma vez só, com firmeza.
Dicas da Laura
- Os furinhos têm duas causas e as duas são de temperatura ou de ar. Bater demais no liquidificador incorpora ar; forno acima de 180 °C ou banho-maria fervendo faz a água dentro da massa virar vapor e abrir buraco. Se o seu forno é forte, baixe para 170 °C e asse 15 minutos a mais.
- Sem forma de pudim com furo no meio? Use uma forma redonda comum de 20 cm, mas aumente o tempo em cerca de 15 minutos — sem o furo, o calor demora mais para chegar ao centro.
- Se o caramelo endurecer demais no fundo e não escorrer ao desenformar, coloque 2 colheres de sopa de água quente na forma vazia e leve ao fogo baixo por 1 minuto. A calda dissolve e você rega o pudim.
- Dura 4 dias na geladeira, coberto. Não congela: descongelado, o pudim solta água e a textura fica granulada.
Perguntas frequentes
Meu pudim ficou cheio de furinhos. O que errei?
Quase sempre é temperatura alta demais. O banho-maria deve manter a água quente, não fervendo. Se a água borbulha durante o forno, o calor passa dos 100 °C na lateral da forma, a mistura ferve por dentro e cada bolha de vapor vira um furo. Baixe o forno para 170 °C e cubra com papel-alumínio. A segunda causa é bater demais no liquidificador.
Posso fazer sem banho-maria?
Pode assar direto, mas aí não é mais o mesmo pudim: o calor seco cozinha o ovo rápido demais e a textura fica de omelete doce, esponjosa e cheia de buracos. O banho-maria existe justamente para que a massa nunca ultrapasse a temperatura da água. Se quiser fugir do forno, use a panela de pressão: forma tampada com alumínio, 2 dedos de água na panela, 30 minutos depois de pegar pressão.
Dá para usar leite em pó no lugar do leite?
Dá, e o pudim fica mais encorpado. Dissolva 5 colheres de sopa de leite em pó em 390 ml de água morna e use no lugar do leite líquido.
Quanto tempo antes posso fazer?
Faça na véspera. Pudim de um dia para o outro fica mais firme, o caramelo derrete melhor no fundo e desenforma com muito mais facilidade que o de 6 horas.
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